domingo, 11 de março de 2012

A luz que transforma um olhar perdido na escuridão

http://www.oregional.com.br/portal/detalhe-noticia.asp?Not=275411

 MATÉRIA DO SITE:




   
  
Fernanda Bianchini ministras aulas de Ballet para portadores de deficiência visual.

O Regional: Hoje a questão da inclusão social é muito debatida. Na prática os portadores de deficiência sentem dificuldade para se inserirem na sociedade e outras atividades?

Fernanda Bianchini:
Vejo que muita coisa já evoluiu com relação a esse assunto. Porém, ainda acreditamos estar distante de uma perfeita inclusão. Mas tenho certeza que chegaremos lá, afinal, nosso trabalho é o de fazer a inclusão na prática através de palestras motivacionais.

O Regional: Como surgiu a ideia de ensinar Ballet aos deficientes visuais? E as dificuldades enfrentadas?

Fernanda Bianchini:
Na verdade foi um grande desafio lançado em minha vida aos 15 anos. Na época, lembro-me de ter sido aconselhada pelos meus pais a não desistir e lutar pelo que eu acreditava. As maiores dificuldades foram: desenvolver um método próprio e também trabalhar o preconceito. Logo nas primeiras aulas, cheguei para as alunas e ao invés de usar os nomes dados aos passos no Bellet, que são nomes difíceis e elas não entenderiam, eu usei objetos do dia-a-dia. Em uma aula disse que elas teriam de fazer um movimento como se fosse saindo de dentro de um balde. Terminei de dar a explicação e uma aluna me perguntou: “Professora, o que é um balde?”. Nesse dia eu vi que tinha um longo trabalho pela frente e que tinha de trabalhar com todo cuidado para ensinar aos meus alunos.

O Regional: O trabalho surgiu com o foco de ensinar o Ballet e dar outra perspectiva para o deficiente visual. Como foi o processo até ele se tornar profissional e realizar apresentações por diversas parte do Brasil?

Fernanda Bianchini:
Resumo em poucas palavras: Determinação, garra, força de vontade e disciplina. Hoje com muito orgulho falo que elas formam o único grupo profissional de Ballet de cegos no mundo, isso é mérito delas.

O Regional: Faltam políticas inclusivas para os portadores de deficiência?

Fernanda Bianchini:
Faltam sim. Vejo que o país ainda caminha para uma verdadeira inclusão, porém, vale lembrar que muita coisa já começou.

O Regional: O deficiente, por si só, se vê limitado a exercer atividades?

Fernanda Bianchini:
A questão da limitação depende muito do estimulo que é dado pela família. Vejo que alguns são muito mais desenvolvidos corporalmente e outros mais intelectualmente.

O Regional: Existe por parte dele o medo de não conseguir ou de ser incapaz?

Fernanda Bianchini:
Eu acredito e todos esses anos de experiência me fazem crer que sempre há talentos dentro de cada ser humano, basta desenvolver. Acredito muito no potencial das pessoas, sejam deficientes ou não.

O Regional: Além de ensinar a arte corporal, o Ballet trabalha a autoestima de seus alunos?

Fernanda Bianchini:
O Ballet trabalha a autoestima e muito. Para os meus alunos, estar no palco e ser aplaudido por um país todo geram muita autoestima.  Além de conseguir empenhar as atividades passadas, cada aula, cada aprendizado, enfim, cada superação é mais uma conquista.

O Regional: Qual metodologia de ensino é aplicada nas aulas para os portadores de deficiência visual.

Fernanda Bianchini:
O método utilizado nas aulas é totalmente feito através do toque corporal e da percepção. Os alunos tocam meu corpo, sentem o movimento e depois tentam reproduzir.Depois disso, quando todos os passos começam a ser memorizados pelas alunas a aula é feita com as orientações orais, ou seja pela voz.

O Regional: Ser deficiente é ser uma pessoa limitada?

Fernanda Bianchini:
Não, de forma alguma. Tudo é possível na vida quando se tem força de vontade. Vejo isso diariamente no desenvolver do meu trabalho.

O Regional: Há mitos que envolvem os portadores de deficiência?

Fernanda Bianchini:
Infelizmente sim. Por exemplo, muitos dizem que o deficiente visual escuta melhor, mas isso não é provado cientificamente. Os portadores de deficiência visual têm sim mais atenção na audição e prestam mais atenção em tudo o que escutam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário