sexta-feira, 4 de junho de 2010

Uma flor para uma pessoa que me ensinou!


Hoje me lembrei de um amigo que não se encontra mais neste plano, precisamente de um fato que ele relatou ainda quando eu era criança em 1986, em São Paulo, no INSS do Glicério, local que retirávamos as bolsas de colostomia. O Sr. José, meu amigo, também colostomizado,buscava suas bolsas, nossos retornos sempre coincidia, e aos poucos, nos tornamos amigos. Um senhor de idade, de cabelos brancos, muito simpático, passava uma calma, enquanto eu . . . com meus nove anos de idade, uma pilha, revoltada com quase tudo rs, mas mesmo sendo revoltada, sempre tive facilidade para fazer amigos, como o Sr. José. Sempre nos encontrávamos nos retornos ao Glicério, o que senhor José me contou, de certa forma me fez reflectir muito na época, devido esse fato também ter ocorrido comigo muitas vezes na escola. Ele me contou que uma vez, ao pegar o coletivo em sua cidade, em horário de pico, como era cidade litorânea, podemos imaginar, como o coletivo esta cheio de pessoas, sua bolsa de colostomia estava muito cheia também, com o vuco vuco de pessoas dentro do coletivo, em uma brecada que o motorista deu, as pessoas acabaram se esbarrando uma nas outras, e com isso a bolsa vazou, e o meu amigo, teve que descer do coletivo e ir a pé até sua residência, faltando 5 quadras. Hoje me pergunto, o que será que as pessoas pensam e sentem quando vê o outro em uma situação desta, sem saber o que esta se passando?! Lembrei que muitas vezes eu também era vitima da ocasião, e sempre acontecia dentro da escola, ou em horário de intervalo, ou em sala de aula. Confesso que a sensação para nós não é nada confortante, muito pelo contrário, nos sentimos tão envergonhados e mal com essa situação, na escola, eu ainda tinha uma vantagem e uma desvantagem rss, a desvantagem é que eu morava um pouco afastado da escola, então tinha que ir a pé até minha casa e apesar de estar sempre acompanhada por algumas amigas, era muito constrangedor, devido o meu caso ser ileostomizada, a sensação que eu tinha ao ser olhada, era que eu tinha feito xixi na roupa. A vantagem é que sempre era dentro da escola, pessoas que sabiam de alguma forma o que estava acontecendo de verdade, a pesar de algumas piadinhas, porque sempre tem um aluninho fofinho que adora ser gracinha rs, conseguia tirar de letra, só que na época não conseguia ver assim, como vejo hoje. Mas, se hoje eu tivesse que voltar no tempo e modificar alguma coisa, apesar de parecer extranho, não mudaria nada, pois, através destes acontecimentos é que nos tornamos melhores, com isso aprendi a não ser preconceituosa, pois para quem sofre preconceito, ou já sofreu algum tipo, sabe o que quero dizer. Meu marido me perguntou outro dia se mudaria minha vida, ou minha infância, a resposta foi não, sou feliz, sempre fui feliz, recebi muito amor e carinho da minha mãe e do meu irmão, eles me mostraram que nunca tive motivo para ser infeliz. Estou viva! E sou muito amada, então o que vier tiramos de letra, pois nunca estive sozinha, sempre cercada por pessoas especiais e que sempre fizeram e fazem questão de me mostrar o quanto sou especial para eles, seja de que forma for. E do Sr. José?! Sinto saudades, esse fato relatado por ele, serviu para me mostrar que as coisas não acontecem somente com um único ser, que todos nós estamos pré dispostos a passar por qualquer situação!